Black Mind


Black Mind é onde os assuntos que realmente interessam no mundo do skate estão. Discussões, polêmicas e verdades que precisam ser ditas.

24.08.2018 Como será o skate nas Olimpíadas?

O skate vai ter uniforme nas Olimpíadas? E o doping? Quem vai escolher os skatistas que vão competir? Goste ou não goste, o skate estará nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020 (faltam menos de dois anos!). A discussão hoje não é essa. Gostando ou não, se você vive o skate de alguma forma, acho importante conhecer as normas que vão reger o skate no maior evento esportivo do planeta, seja pra se informar ou falar mal, mas com embasamento. Já tinha pensado em fazer um guia desse tipo, mas nunca tomei a coragem pra afundar a cabeça em pesquisas enfadonhas cheia de termos técnicos.

 

Eis que surgem nossos manos da Jenkem, um dos sites de skate mais formidáveis dos EUA. Eles fizeram a pesquisa, falaram com o Josh Friedberg (diretor de skate da World Skate), montaram o texto, e eu só tive o trabalho de traduzir e adicionar informações relevantes aos brasileiros. Pedi pro meu mano Marcio Moreno fazer algumas ilustrações e aqui está, um guia do skate nas Olimpíadas com várias coisas que tenho certeza que você não sabia.

 

texto por Josh Friedberg e Larry Lanza (Jenkem)

introdução, tradução, adaptação e informações adicionais por Felipe Minozzi (Fel)

ilustrações por Marcio Moreno

 

Black Mind - Olimpíadas

 

FORMATOS
Street – Masculino e Feminino
Park – Masculino e Feminino

 

DATAS
A cerimônia de abertura das Olimpíadas está marcada para 24 de julho de 2020, uma sexta-feira. O street masculino acontece no sábado, 25 de julho. O street feminino acontece no domingo, 26 de julho. O park feminino em 4 de agosto e o park masculino em 5 de agosto.

 

PISTAS
Depois de analisar três concorrentes, o Comitê Organizacional de Tóquio escolheu a California Skateparks para desenhar e construir as pistas para os Jogos Olímpicos.

 

QUEM ESTÁ NO COMANDO?

A World Skate. A ISF (Federação Internacional de Skate) e a FIRS (Federation of Roller Sports) uniram-se, mudaram algumas coisas no estatuto e formaram a World Skate em setembro de 2017. No ano passado, a World Skate entrou com o pedido de qualificação ao Comitê Olímpico Internacional. No Brasil, a CBSk é a representante nacional oficial nas Olimpíadas, filiada à World Skate.

 

QUALIFICATÓRIAS
Os skatistas vão poder pontuar durante duas temporadas de eventos. Os eventos oficiais serão anunciados ainda em 2018. Serão eventos profissionais e regionais (nacionais e continentais), para que ninguém fique de fora.

A temporada de 2019 vai de 1º de janeiro de 2019 a 15 de setembro de 2019. A segunda temporada começa em 16 de setembro de 2019 e vai até 31 de maio de 2020. Eles vão pegar as três maiores pontuações da temporada de 2019, as seis maiores da temporada de 2020, e somá-las.

Black Mind - Olimpíadas

ONDE PODEREI ASSISTIR?

Como todos os anos, no Brasil as Olímpiadas serão transmitidas pela TV aberta. A Globo tem os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos até 2032, o mais longo acordo por direitos já negociados pela empresa.

 

QUEM ESCOLHE OS SKATISTAS?

Algumas federações, como a CBSk aqui no Brasil, já anunciaram uma seleção nacional. Isso não significa que esses são os skatistas que estarão nas Olimpíadas de Tóquio, mas eles já ganham incentivos do governo, inclusive monetário, para treinarem. No caso dos Estados Unidos, apesar de ser o maior mercado de skate do mundo, o governo não financia nenhum time Olímpico. No Brasil, atualmente, a Seleção Brasileira é composta por:

 

Street Masculino – Kelvin Hoefler, Luan Oliveira, Tiago Lemos e Felipe Gustavo.
Street Feminino – Vitória Mendonça, Pâmela Rosa, Monica Torres e Gabriela Mazetto.
Park Masculino – Pedro Barros, Luiz Francisco, Murilo Peres e Ítalo Peñarrubia.
Park Feminino – Yndiara Asp, Dora Varella, Isadora Pacheco e Camila Borges.

 

E OS TÉCNICOS?
Normalmente, a posição mais próxima de um técnico que os skatistas tem, pelo menos até hoje, são os team managers ou videomakers que agem como mentores e ajudam na carreira. Hoje em dia, vários dos maiores skatistas do mundo tem agentes, treinadores, entre outras coisas. Países menos desenvolvidos no skate já estão procurando técnicos (técnicos mesmo) pra dar um gás a mais na evolução dos skatistas. As únicas pessoas presentes na pista durante a competição serão os próprios skatistas.

 

COMPETIDORES
Serão 20 skatistas em cada competição. Não pode haver mais de três (3) skatistas de cada país por competição (park masculino, park feminino, street masculino e street feminino). Mesmo se sua pontuação estiver perto dos primeiros lugares do país, não importa. Serão apenas três.

 

Nenhum país precisa ter, obrigatoriamente, skatistas na competição, exceto o Japão, por ser o país sede em 2020. No entanto, é obrigatório haver pelo menos um (1) skatista de cada um dos cinco continentes. Se entre os 20 melhores não houver pelo menos um skatista de determinado continente, o vigésimo lugar será removido e o dono da melhor pontuação desse continente tomará o seu lugar, não importando sua posição no ranking geral.

 

JULGAMENTO

Os juízes dos eventos qualificatórios para as Olimpíadas serão fornecidos e certificados pela World Skate. Muitos dos principais juízes de hoje já são parte do leque de juízes certificados pela entidade.

 

O processo de certificação está programado para começar nos próximos 60 dias. O que se sabe até agora é que, nos eventos internacionais, atuarão cinco juízes e um juiz principal, o famoso Head Judge.

 

Em 2018, a World Skate passou quatro dias na China fazendo um Workshop de Comissão de Julgamento de Skate Internacional, com 17 skatistas de 11 países, num esforço para garantir que a forma de julgamento continue a apoiar o crescimento do skate na base da “evolução antes da perfeição”. Entre os critérios estão a dificuldade das manobras, uso da pista, estilo e fluidez na volta. Você encontra mais informações sobre os critérios de julgamento da entidade aqui.

 

Black Mind - Olimpíadas

DOPING
A WADA (Agência Mundial Antidoping) proíbe certas drogas. Os testes são realizados duas vezes – na competição e fora da competição. A lista completa de substâncias proibidas está aqui. Os skatistas podem consultar o status de qualquer substância ou remédio que eles tomam aqui (no caso dos brasileiros, aqui). Caso o teste dê positivo, a responsabilidade é 100% do skatista.

 

A maioria das substâncias inaladas são proibidas. Suplementos são complicados por não serem aprovados pela FDA (a agência norte-americana que controla alimentos e drogas), podendo conter literalmente qualquer coisa – um suplementos muito popular há alguns anos continha metanfetamina. Quanto à maconha, o CBD (ou canabidiol) não está proibido mas, por não ser controlado pela FDA, pode conter THC, que é proibido. Drogas recreativas como álcool e maconha são proibidas apenas durante a competição, mas os skatistas devem prestar atenção no tempo que a substância fica no organismo, o que varia de pessoa pra pessoa.

 

A USADA (Agência Anti-Doping dos Estados Unidos) deve reportar qualquer acontecimento em seu site. Ainda não há skatistas nessa lista.

 

Recentemente, skatistas brasileiros foram pegos no teste de doping realizado pela ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) no Oi Park Jam, em janeiro deste ano. Na época, a CBSk afirmou não acreditar que haveria punição. Leia mais sobre o caso aqui.

 

AFILIAÇÃO AO STREET LEAGUE
Junto ao SLS e ao Campeonato Mundial, existem outros eventos “pro tour”, que serão definidos como qualificatórias até 2022. A World Skate está trabalhando num acordo para uma série de eventos de park que seja o equivalente ao SLS e as qualificatórias pro street. Vans Park Series, talvez? Ainda não foi definido.

 

Todas as federações nacionais afiliadas à World Skate também vão realizar um Campeonato Nacional todo ano. Haverá campeonatos continentais de park em todos os continentes a partir de 2019. Esses eventos permitirão que skatistas que não tem condição de sair do país tenham uma chance de participar e pontuar.

 

Também teremos eventos Cinco Estrelas, que serão as competições profissionais. Serão até três de cada modalidade (park e street) por ano.

 

E O VERTICAL? E O LONGBOARD?
Street e Park são as principais e maiores modalidades de skate ao redor do mundo. Não há mulheres o suficiente com nível internacional em países menos desenvolvidos no skate e, como os eventos de Tóquio serão realizados com base na igualdade de gênero, foram escolhidos as modalidades com mais skatistas ao redor do mundo. A World Skate espera acrescentar modalidades no futuro.

 

LIMITE DE IDADE
Não há idade mínima ou máxima para os skatistas olimpícos. Geralmente, a idade mínima é estabelecida para proteger atletas de machucados e contusões. Se você é um skatista talentoso o suficiente pra se classificar para as Olimpíadas, deve ser capaz de suportar os riscos que qualquer skatista, de qualquer idade, enfrenta.

Black Mind - OlimpíadasUNIFORME

Roupas e acessórios usados pelos skatistas em Tóquio ficam a cargo dos Comitês Olímpicos Nacionais de cada país.

 

Os skatistas não poderão usar roupas de seus patrocinadores durante os Jogos Olímpicos ou outros eventos em que representem seu país, como Jogos Panamericanos ou Jogos Olímpicos da Juventude. Eles continuarão podendo usar as roupas dos patrocinadores em eventos comuns, como Street League, Vans Park Series, Dew Tour, X Games, e os Campeonatos Mundiais e Continentais.

 

Roupas e equipamentos também precisam seguir as 50 regras do COI que especifica, entre outras coisas, tamanho e posicionamento de logos, e o que é considerado “equipamento esportivo”.

Os skates e tênis são classificados como equipamentos esportivos. Isso significa que os skatistas poderão usar os tênis, shapes, trucks, rodas, rolamentos e lixas de seus patrocinadores nas Olimpíadas, contanto que eles estejam disponíveis no mercado para compra há pelo menos seis meses antes dos Jogos.

 

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texto por Josh Friedberg e Larry Lanza (Jenkem)

introdução, tradução, adaptação e informações adicionais por Felipe Minozzi (Fel)

ilustrações por Marcio Moreno

Artigo original

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21.06.2017 A Carta de 1988

Sempre que vou ao banheiro ter um momento de contemplação, levo alguma coisa pra ler. Esses dias, levei uma Thrasher antigona que tenho aqui em casa, edição de novembro de 1988. Nem capa tem mais. Por algum motivo obscuro, estava lendo as cartas dos leitores e me deparei com essa, a maior da edição, escrita pelo Paul deParrie, de Oregon, skatista dos anos 60.

 

Apesar de soar bem conservador, as reclamações dele e o modo como ele enxergava o skate na época formaram, na minha mente, um paralelo automático com os dias de hoje. Ainda reclamamos do não reconhecimento da sociedade, precisamos de mais pistas, somos incompreendidos e vistos como uma sub-categoria de cidadãos. Mesmo estando no Brasil e a carta sendo de um norte-americano, essas são realidades quase universais.

 

Não vou nem dizer se concordo ou não com o que o cara escreveu; o fato é que se passaram praticamente 30 anos e a carta dele continua atual. Lembre-se: era 1988! Será que eram problemas de época? Será que a idade muda tudo? O skate precisa mudar e se adaptar? Vamos discutir isso nos comentários.

 

introdução por Felipe Minozzi (Fel)

 

Carta - Thrasher - 1988 - 01

 

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04.08.2016 Skate, termodinâmica e as Olímpiadas

O que skate, a termodinâmica e as Olímpiadas tem em comum? Agora que o skate está confirmado nas Olímpiadas, está tudo estragado? Vamos todos virar um bando de atletas saudáveis? Seremos recebidos com sorrisos nos picos de rua? Ontem lançamos o vídeo da Roosevelt, Radiação. Ironicamente, o skate foi confirmado nos Jogos Olímpicos de 2020 no mesmo dia. Foi aí que resolvi parar de enrolar e terminei esse texto. Tá grande pra caralho, mas acho que vale a pena a reflexão e sua participação nos comentários. Vamulá.

 

por Felipe Minozzi (Fel)

 

Black Mind - O skate, termodinâmica e as Olímpiadas

 

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29.01.2016 Os 10 Mandamentos da Vídeo Parte

Quando o Diego Wanks, a.k.a. Didi, veio me falar que havia encontrado um antigo pergaminho com Os 10 Mandamentos da Vídeo Parte, não acreditei. Só tive certeza quando o peguei em minhas mãos. Como não podia deixar esse conhecimento tão importante morrer no anonimato, resolvi transcrever aqui pra todo mundo tomar conhecimento desses sábios ensinamentos. Espero que ajude muita gente.

 

Mandamentos por Diego Wanks e Fel | Texto por Felipe Minozzi (Fel)

 

Black Mind - Os 10 Mandamentos da Vídeo Parte

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21.09.2015 As meninas do Street League e o preconceito

Recentemente, a Street League anunciou as primeiras meninas a competirem no evento (foto abaixo). Imediatamente, começaram a surgir comentários babacas, completamente desnecessários. A Suellen Amaral, a.k.a. Suka, resolveu escrever um texto sobre o assunto, e nós resolvemos publicá-lo, porque o assunto é sério e precisa ser discutido. É irônico e muito triste ver que o skate, que sempre foi alvo de preconceito, ainda abriga pessoas que exercem o mesmo tipo de babaquice dentro do próprio universo.

 

introdução por Felipe Minozzi (Fel)  |  texto por Suellen Amaral 

 

Street League Girls

 

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02.09.2015 Crítica: We Are Blood

Se você conhece pelo menos alguns vídeos do Ty Evans, como o Sixth Sense (que já trazia narração em off), o Yeah Right! (que chutou o pau nos efeitos especiais) e até mesmo o primeiríssimo vídeo do cara, o Interface, já deveria imaginar o que seria o We Are Blood. E o filme é isso mesmo: a expressão máxima (e endinheirada) de tudo que Ty Evans sempre experimentou, inventou e gostou de fazer. Sempre gostei dele por tentar trazer coisas novas pros vídeos de skate, arriscar, fazer o que tinha vontade. Continuo gostando disso. Mas vamos falar do We Are Blood.

 

por Felipe Minozzi (Fel)

 

We Are Blood

 

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30.01.2015 Parados no Tempo

por Felipe Minozzi “Fel”

 

“Tudo o que não se renova, morre”. Sei lá onde foi que eu vi essa frase mas, desde então, ela ficou na minha cabeça. Até hoje, eu tento encontrar um exemplo onde ela não se encaixe. Ainda não consegui achar nenhum. E no skate essa verdade cabe direitinho.

 

Black Mind - Passado - GTorino

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24.06.2014 O skate não é seu

por Felipe Minozzi (Fel)

 

“Malditos sanguessugas”, “a Grobo mente” e “isso não é skate de verdade” são algumas das frases berradas em Caps Lock pela turma do mimimi quando o skate sai das mídias especializadas e vai para a TV, para o jornal, para os pés do Cauã Reymond ou para o raio que o parta. Mas o buraco, meu amigo, é bem mais embaixo.

 

Black Mind - Skate Não é Seu

 

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