Black Room - 23.06.2017 Fábio Bitão - [o]92ateoinfinito


Com mais de 25 anos de skate e fotografia nas costas, Fábio Bitão resolveu juntar algumas fotos pra contar essa história em mais um livro, o [o]92ateoinfinito. Com o lançamento programado pro próximo sábado (24), pedimos pra ele mandar algumas fotos do projeto e contar um pouco de cada uma, pra você sentir o peso histórico que esse cara carrega e, obviamente, fazer você comprar o livro pra ver tudo!

 

introdução por Felipe Minozzi (Fel) / fotos e texto por Fábio Bitão

 

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Provavelmente, essa foto me fez continuar andando de skate e fotografando até hoje. Foi durante uma das minhas viagens para a Europa. De passagem por Zurique (Suíça), havia conhecido alguns skaters no trem (entre eles o Mark Appleyard), que me pediram informação ao me verem na estação. Logo me juntei ao grupo e ficamos todos no mesmo hostel. Depois de instalados, fomos conhecer um skatepark da cidade. No caminho, estava carregando meus equipamentos de fotografia quando, ao tentar entrar por essa passagem subterrânea, enrosquei a mochila numa corrente, tomando um capote e ficando até meio abalado. Pensei em quebrar o skate e mandar tudo praquele lugar. Foi quando olhei e vi meu skate, com aquela “luz” no fim do túnel. Estava passando por um momento de reflexão e foi aí que tudo clareou. Pensei comigo: “É isso mesmo que eu quero continuar fazendo, andar de skate e fotografar”. Jamais poderia imaginar que estaria contando essa história nos dias de hoje. (2000, câmera Nikon F5, lente 75-240mm, filme Kodak T-Max 400)

 

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Uma das minhas primeiras fotos de skate, no início dos anos 90. Fiz essa com o grande amigo e ídolo do skate brasileiro, Álvaro Porque?, na pista original de São Bernardo do Campo. Noites escuras e geladas. Sessões intensas e inesquecíveis. O Porque? parecia um raio no meio da escuridão, com sua velocidade e agressividade. Talvez uma das minhas primeiras fotos com flash. (1993, câmera Yashika FX-D, lente 50mm, filme Kodak Gold 100)

 

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Retrato que fiz do meu amigo Marcio Tarobinha, num típico final de tarde na pista de São Caetano do Sul. Depois de uma sessão pesada na minirrampa, sempre rolava um momento de descontração, falar besteira e dar risada. Essa é uma foto que gosto muito, pois ela resume de fato o que acontecia naquela época. O Taro pegou o óculos e falou: “Tira uma foto aí, Birous”. Mais de duas décadas atrás, era criado o “Taro Style”. (1993, câmera Yashika FX-D, lente 50mm com adaptor para fisheye, filme: Ektachrome 100)

 

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Numa viagem que fiz para Belo Horizonte, fui conhecer essa pista inacabada e encontrei esse garoto que, na minha opinião, resume o skate brasileiro, principalmente o daquela época: pistas inacabadas, materiais precários… O olhar do garoto expressa todo esse sentimento. Apesar da situação, a simplicidade e um fundo de esperança reluz em sua face. (1995, câmera Yashika FX-D, lente 50mm, filme Kodachrome 100)

 

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Mais uma tarde divertida na extinta ZN Skatepark, em São Paulo. Um dos skatista mais locais, Robson Reco, sempre estava manobrando e fugindo do dono da pista, “Seu Afonso”, que ficava maluco com a bagunça da galera. Nesse dia não foi diferente; logo após a reforma do obstáculo, com o cimento ainda fresco, Reco fez o test drive. Isso sem a aprovação do “Seu Afonso” que, por milésimos de segundo, não saiu na foto junto desse heelflip cabuloso e de prima, direto para o chão. Tey! (1995, câmera Canon AE-1, lente fisheye 15mm, filme Kodak Elite Chrome EBX 100)

 

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Em 1998, estava viajando pela Europa sozinho de trem e indo para os campeonatos. Foi quando encontrei o Carlos de Andrade e um dos skatistas mais velhos da época, Bill Door, já com seus setenta e poucos anos em Praga. Pedi uma carona para até a próxima cidade, ou melhor, país. Fomos até Lausanne, na Suiça. No meio do caminho visitamos um skatepark muito bom da época, Block 36, em Winterthur, próximo a Zurique. Passamos o dia no skatepark; o Carlão estava andando muito e aproveitamos para fazer algumas fotos, mas não havia muitos picos de rua. No dia seguinte, estava tomando café pela manhã, quando meus parças  surgiram falando de um pico de rua. Quando chegamos, havia uns cinco ou seis vulcões de tijolinho, perfeitos, na frente de uma universidade. Imediatamente, peguei meu equipamento e intimei o Carlos para fazer a foto. Lembro que usei uma câmera reserva que eu tinha para testar, não me lembro o modelo e nem o filme. Só lembro que era um cromo; a foto original é colorida. Eu fiquei na expectativa do resultado, que só conferi algumas semanas depois. Acabou virando capa da Revista Cemporcentoskate de agosto de 1998.

 

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O Bob Burnquist foi um dos primeiros skatistas que me chamou para fotografar na vida. Dessa vez, me convidou para seguir a viagem com ele para Marseille (França). Ele estava filmando com o diretor Scott Soens para o vídeo Hallowed Ground (2001). Essa foto foi feita dentro do trem, quase chegando ao nosso destino. Ficamos ali na janela por algum tempo, comemorando a chegada e sacando algumas fotos. Logo quando acabamos de fazer a foto e decidimos sair da janela, passou um poste muito próximo do trem e, supostamente, das nossas cabeças. Talvez eu não estivesse aqui contando essa história e o Bob não tivesse feito a metade das maluquices que já fez, tudo por causa de um poste. (2000, câmera Nikon F5, lente Nikon 16mm, filme Provia 100F)

 

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Essa foi a primeira sessão de fotos que fiz com o Og de Souza. Foi lá em Porto Alegre; ele mandou várias manobras nesse dia. Uma que me impressionou muito foi esse ollie por cima do hidrante e um pedaço da calçada. Me impressionou pela sua força física e vontade. (2000, câmera Nikon F5, lente Nikon 16mm, filme Provia 100F)

 

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Esse foi um dia muito divertido. Andar de skate com o Laurence Reali sempre foi demais, e dessa vez não foi diferente. Eu estava coletando geladeiras, fogões e coisas desse tipo para fazer algumas fotos. Ele ficou sabendo e já colou pra missão, com o Danilo e o Bruno Cerezini. Colocamos uma geladeira dentro do carro, o que já foi uma aventura, e seguimos para a Praça do Morumbi. O Laurence chegou e já colocou a geladeira na parte de cima do palco pra voltar no andar de baixo. Mas a geladeira de lado ainda ficava bem alta. Ele parou, olhou e já voltou mandando um frontside nosebluntslide; quase acertou de primeira. Mais uma tentativa e, na terceira, voltou com as quatro no andar de baixo. Sem economizar no estilo, ainda mandou mais duas vezes, para fazer a sequência. Essa foto tem muitos detalhes que representam esse grande skatista que deixou saudades em muitos amigos. (2005, câmera Nikon F5, lente 75-240mm, filme Fuji Chrome Provia 400F)

 

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Durante as gravações do Give Me My Money Chico, vídeo da LRG, eu estava em Nova Iorque com o Rodrigo TX e outros manos brasileiros na sessão. Fiz algumas fotos, sempre tentando não comprometer o trampo dos caras. O Anthony Claravall (vídeo) e o Brian Uyeda (foto) eram os responsáveis pelas imagens, mas me deixavam à vontade para fazer algumas fotos. Foi nessa que rolou essa foto espelhada do Rodrigo, que aparece no início da parte dele no vídeo. Essa sessão foi em 2009. Não vou revelar a câmera ou o filme que usei. Vou deixar essa imagem falar por si própria.

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