Black Room - 17.06.2019 O último dia do Vale


Ontem, dia 16 de junho, foi o último dia do Vale do Anhangabaú como conhecemos desde 1991. O lugar sempre foi peça importante na história da cidade e do país (Diretas Já, pra ficar no maior exemplo), mas foi o skate que realizou o velório. Os skatistas adotaram o espaço e foram os últimos a pisar, comer, deitar, gritar, a encostar no mármore, a efetivamente usar o espaço. Segundo Murilo Romão, que foi o cara que movimentou todo mundo pra que esse fim fosse algum tipo de novo começo, foi uma despedida triste e feliz ao mesmo tempo: “Vai morrer um Vale, mas vai nascer outro. Transplante de coração”.

 

texto por Felipe Minozzi (Fel) | fotos por Moisa

 

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Isso porque nos foi prometido que as pedras serão preservadas e reutilizadas no novo pico que será construído no lugar. Prometido não significa garantido e, por isso, a fiscalização dos skatistas precisa continuar. Sempre que você passar ali por perto, dá uma desviada no caminho pra dar uma olhada, perguntar pros pedreiros onde estão as pedras, postar aquela foto no Instagram, aquela coisa.

 

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Depois que o movimento Salve o Vale virou notícia, ouvi numa rádio alguém dizendo que o skate quer se apropriar de um espaço que é de toda a população. Ele tem razão, o Vale é de todos os brasileiros. Mas essa pessoa, com certeza, não pisou no Vale nos últimos dez anos. O skate não quer se apropriar. O skate preencheu o vácuo e se apropriou de fato. Os principais frequentadores diários eram os moradores de rua, trabalhadores da região na hora do almoço, e os skatistas, todos convivendo durante anos. O resto da cidade vê o Vale por cima, do Viaduto do Chá. Nós já vimos essa história acontecer na Praça Roosevelt, outro pico clássico de São Paulo que sofreu uma plástica forçada. O skate sempre adota o filho feio e briga por ele. Quando ele fica bonito, todo mundo quer fazer carinho. E são bem-vindos, sempre. Mas se o skate bater na sua canela quando você estiver na Roosevelt, não reclame. Foi o skate que cuidou quando o lugar estava completamente abandonado, fedorento, destruído. Parece que a história vai se repetir. Essa análise do radialista foi destruída por um cara que passou por mim esses dias. Ele me viu tirando fotos do Vale e falou: “Os caras vão quebrar a diversão da molecada ali, né? Parece que não podem ver gente feliz no meio da rua, vejo todo dia eles brincando ali”.

 

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Outro ponto muito discutido foi a falta de posição da CBSk sobre o fim do pico de skate mais famoso do país. Como disse o Douglas Prieto na Cemporcentoskate – e assino embaixo – o fim do Vale serviu pra deixar bem claro o principal papel da entidade: cuidar de campeonato. O resto continua como sempre foi: dependendo da união dos skatistas, da mobilização espontânea. Competições são importantes, claro, mas jamais chegarão a arranhar a superfície do universo infinito que é o skate em sua essência. Tóquio 2020 está chegando e a CBSk está fazendo um trabalho exemplar, com todo o suporte aos skatistas da recém-nascida Seleção Brasileira de Skate. Também duvido, como o Douglas, que isso beneficie o skate por osmose, como anda se falando. Não vai, são coisas completamente diferentes. Talvez seja hora de mudar esse trecho do Estatuto: “A CBSk tem como finalidade, desenvolver, divulgar, difundir, fomentar a prática e organizar o esporte, além de representá-lo no Brasil perante os poderes públicos (municipal, estadual e federal) e a sociedade organizada (empresas, ONGs, fundações, associações e federações).” Quem falou em nome do skate nos últimos dias do Vale, quem foi gritar na frente da Prefeitura, quem conseguiu com que as pedras fossem preservadas pra serem reutilizadas no novo pico a ser construído, quem estava e estará lá pra fiscalizar as promessas, foram os skatistas. Pessoas físicas, com CPF, não CNPJ. Muita gente queria o apoio da CBSk, mas ele não veio. Tudo bem, vamos em frente, cada um com seu papel. O novo Vale parece que está garantido, e as fotos, vídeos e posicionamentos registram quem são os responsáveis.

 

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Voltando ao dia de ontem: pedimos pro Moisés da Silva, o Moisa, registrar em fotos o último dia do Vale, e aqui estão elas. Se quiser, salva esse post nos favoritos, porque são as últimas do Vale (quase) inteiro. Hoje (17/06), enquanto escrevo isso, grande parte do que aparece nas fotos já está destruído. Ciclo encerrado, mais uma página escrita na história do skate brasileiro. Continuamos.

 

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